Coluna Chicolelis: Eu dirigi o carro dele

Muitos de vocês vão identificar este meu amigo. E  também lamentar que ele deixou poucos andarem no seu carro, atrás do volante. Daí, o meu título para essa coluna.

Para que se tenha uma ideia do tanto que o meu amigo ama o seu M5, um BMW 95, resultado do projeto E34 (denominação que as fábricas usam para seus projetos, como a GM, por exemplo, usou Blue Macaw – Arara Azul – para o Celta) ele não sai na chuva com sua máquina de 340 CV, amortecedores elétricos, câmbio manual de seis marchas​, tração traseira, que fazia 0 a 100 em 5,7s, incríveis para a época do seu lançamento. Sua máxima, limitada eletronicamente, alcança 250 km/h.

São muitas as histórias sobre o ciúme que meu amigo tem do seu carro, comprado, Zero km, em 1996 quando chegou ao Brasil. E foi uma das últimas unidades fabricadas pela BMW na Alemanha.

Ele confessa que não anda com seu carro na chuva, não por molhar a lataria, mas pela sujeira que se acumula sob o carro. E aproveita para contar a história do dia em que deixou seu M5 protegido de uma chuva que não existiu.

– Já faz alguns anos – conta ele – eu estava fazendo um trabalho de treinamento e meu parceiro saiu antes do local, indo para São Paulo e eu fiquei alguns minutos mais. Então, ele manda um recado dizendo que chovia muito na metade do caminho.  Eu voltei para São Paulo em outro ​carro e deixei o meu lá. E era mentira. Deu o maior trabalho voltar lá no dia seguinte para trocar ​p​elo meu.

M5 iguais aos do meu amigo, foram fabricadas 404 unidades, os famosos Six Speed Models, mas ele não sabe quantos exatamente vieram para o Brasil. O modelo M5 E34, começou a ser produzido em 1988, com mo​tores 6 cilindros em linha 3.6. Sendo a do meu amigo a última versão, 3.8L, que prefere ficar no seu canto, sem mostrar-se, embora muita gente do meio saiba de quem estou falando, “né”?.

A BMW também produziu uma versão, em 1992 a SW, até 1995. A tração traseira​, que  é o forte do carro, hoje por ser vendido com a possibilidade de ter tração total.

Como enganar a eletrônica na velocidade

Um acordo, na Europa, entre vários fabricantes, limitava, eletronicamente, a velocidade dos seus modelos em 250 km/h (os superesportivos nunca entraram nesse acordo, nem a Opel).

Meu amigo queria saber qual o limite real do seu carro e conseguiu de um engenheiro da BMW, na Alemanha, a dica para passar dessa limitação.

Uma coisa muito simples para conseguir: não mudar para a sexta marcha, indo ao limite das rotações na quinta. E o M5 dele alcançou 275 km/h, em uma pista fechada, já que o engenheiro alemão não queria ensinar o segredo, pois sabia que no Brasil a velocidade máquina nas estradas era de 120 km/h.

Por que essa história?

Acontece que, recentemente, conversando com esse meu amigo, lembrei o dia em que me deixou dirigir a sua “máquina”. Para minha grata surpresa, ele revelou que pode contar nos dedos, de uma só mão, as pessoas a quem ele permitiu est​e ​privilégio.

 

 

 

 

 

 

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