Sabe aquele baú, cheio de fotos desde a sua infância, passando pela juventude, pela escola e,mais adiante, na faculdade e no trabalho? Pois é, n’outro dia abri este meu baú. E nele encontrei estas duas fotos que me emocionaram muito pelo momento em que elas foram clicadas. A primeira, do Salão, pela Empresa Fotográfica Ipiranga, que não sei se ainda existe, mas que ficava na rua Marques de Itu´, 95, na Vila Buarque, em São Paulo. Seu telefone ainda tinha sete algarismos. A segunda, em uma mesa com amigos foi feita, provavelmente por um fotógrafo contratado por uma montadora.
A foto do salão clicada em 1981, há 45 anos, feita no Salão do Automóvel, Anhembi, que foi chamado de “Salão da Esperança”, em razão do setor estar voltado para exportação, abrindo espaço para os nossos veículos chegarem a 40 países compradores em todo o mundo. E o carro a álcool, no seu auge, colocava o Brasil em uma situação de vantagem, diante da crise do petróleo.
E foi neste clima, um dia antes da abertura do Salão, no dia 13 de novembro. Lá estavam muitos colegas jornalista que cobriam o setor à época e assessores de Imprensa das empresas representadas na mostra. Todos junto o símbolo do Salão, uma maquete inspirado em um modelo do início do século passado.
Antes da foto oficial, a feijoada que o Caio de Alcântara Machado, o criador do Salão e de muitas outras feiras, como Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil) e UD (Feira de Utilidades Domésticas), oferecia à Imprensa. Eis, ali, o Caio, sentado na primeira fila, com seus sapatos bicolores e um largo sorriso, sempre presente em seu rosto. Eram tempos de sorriso na Imprensa automotiva, criando amizades que persistem até hoje, ainda que em alguns as distâncias não permitam encontros regulares como se gostaria.

Não é possível identificar a todos, mas é obrigatório nominar o então presidente de Anfavea, Newton Chiaparini, com o neto no colo, tendo ao seu lado o presidente do Sindipeças na época, Carlos Fanucchi de Oliveira (as duas entidades promoviam o Salão do Automóvel). Sentada no carro, de blusa vermelha, Camilinha Cardoso, assessora de Imprensa da Alcântara Machado e um figura especial, com a sua simpatia e pronta para atender aos jornalistas.
Muitos dos fotografados já se foram, como Romeu Neto (diretor de Relações Públicas da GM), Walter Boor (jornalista gaúcho), Marco Antônio Lellis (que não era meu parente), Mauro Forjaz (Imprensa da VW), Enéas Macedo (do falecido Jornal do Brasil), Carlos Augusto Salles (o Carlão), S. Stefani (Gazeta Mercantil), que tinha uma memória fabulosa e não anotava nada nas entrevistas e outros. Mas, os que ainda estão por aqui, atuando ou não no setor, nunca se esquecerão do momento desta foto e de outras, que o Caio sempre fazia questão que fossem feitas, para marcar a abertura extraoficial do Salão. Vivíamos um clima de confraternização nos Salões que o Caio promovia.
Esta outra não lembro quanto tempo tem
Nesta outra foto, eu divido a mesa com três queridos amigos que já no deixaram. Por coincidência, nós quatro de branco. Eu, defronte ao Marco Antônio Zamponi, o Zampa, e ao lado do Orestinho Moquenco, que tem na sua frente o Marco Antônio Lellis de óculos escuros.
Zampa foi um jornalista que deixou muita saudade, com seu espírito irônico,capaz de criar grandes histórias a partir de um pequeno episódio. Como ele dizia:, eu nunca inventei nada, apenas acrescentava alguma coisa, sempre picante na narrativa. O Orestinho, de Ribeirão Preto, era um jogador incorrigível e outro grande contador de histórias. O Marco Antônio, que como disse, não era meu parente (o Lellis dele tem dois ele e o meu só um), era um assessor de imprensa especial, que chegou a comandar a equipe de Imprensa da F1 no Brasil.

