COLUNA CHICOLELIS: Para mim, a Fiat tem 53 anos de Brasil

Explico:

É que foi no dia 14 de março de 1973 que eu tive o privilégio de participar, em Betim, MG, da solenidade de lançamento (simbólico) da pedra fundamental da primeira fábrica da Fiat fora da Itália, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, MG. Lá estava eu, repórter de A Tribuna (jornal centenário de Santos, SP), em companhia do ​”Grand Capo​” da empresa, Giovanni Agnelli e do governador mineiro à época, Rondon Pacheco. E, claro, junto com o primeiro presidente da fábrica no Brasil, Adolfo Neves Martins da Costa. Assim, para mim, a Fiat já existia três anos antes da inauguração da fábrica. E foi o primeiro evento em que tive que usar gravata.

Foi algo realmente histórico, já que marcava a presença de uma fábrica de automóveis fora do “eixo” do Grande ABC paulista, onde estavam GM, em São Caetano do Sul; Volkswagen e Ford, em São Bernardo do Campo, que abrigava também Scania, Karman Ghia e Chrysler (esta​, encerrou as suas atividades no Brasil em 1981, quando foi adquirida pela Volkswagen, para fabricar caminhões com a sua marca).

E o que foi que fez a empresa italiana ir para Minas Gerais, quando os demais estados ofereciam incentivos fiscais? É que o governo mineiro entrou como sócio oferecendo um terreno, já terraplanado e com toda infraestrutura necessária, com 2,25 milhões de metros quadrados, por um preço simbólico. Foi a primeira parceria societária entre uma montadora e um estado do Brasil, que tinha participação de 45,29% da fábrica de Betim. Três anos depois da Fiat lançou seu primeiro modelo no Brasil, o 147.

 

O primeiro a álcool

Além de ser o primeiro modelo Fiat produzido fora da Itália, o 147 também foi o primeiro carro movido a álcool no mundo, em 1979. Mas sua história começou ainda em 1976, quando começaram os ensaios para transformar o 147 em um carro movido a álcool diante da crise do petróleo iniciada em 1973. No mundo inteiro buscou-se alternativas para substituir o petróleo. Aqui, o governo lançou o ProÁlcool (Programa Nacional do Álcool) incentivando a produção do etanol usando a cana-de-açúcar.

E o público conheceu o 147 a álcool no Salão do Automóvel de 1976, que já rodaram milhares de quilômetros em testes realizados. O teste definitivo veio em 1978, com uma viagem de 12 dias rodando por 6,8 mil quilômetros todo o Brasil. No ano seguinte ele chegou ao mercado.

Meu primeiro 147, vermelho, comprei do meu querido amigo Mathias Petrich (que já nos deixou) no começo dos anos 80. Uma delícia de carro.

 

 

 

 

 

 

 

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