Durante parte dos 57 anos da minha vida no jornalismo, como se fala no meio, do “outro lado do balcão”, ou seja, assessor de Imprensa, vivi momentos muito curiosos. Vou falar aqui sobre três casos que nunca me saíram da memória. Colegas, que já se foram e que tinham a mania de abusar da boa vontade das empresas.
Um dos mais marcantes aconteceu na viagem para Barcelona, onde foi lançado o Corsa. Ao descer do avião (um voo fretado da Varig, a saudosa Varig), o jornalista, ainda no “finger”, me avisou que deveria voltar para o Brasil, pois havia recebido uma mensagem do jornal ordenando que voltasse imediatamente.
Surpreso pelo pedido, perguntei como teria chegado a ele a mensagem pois naquele tempo, ainda não havia um sistema de comunicação tão eficiente como o que temos agora.
– O comandante te passou essa mensagem? Perguntei ironicamente. Sem responder, apenas reforçou a necessidade de voltar ao Brasil o quanto antes.
Diante disso, pedi ao representante da agência de viagem que fizesse uma reserva para que ele voltasse ao Brasil, em um voo normal, naquela noite. Que o colocasse em um hotel próximo, com “day use”, com tudo pago (refeições, traslado….).
Então ele ficou nervoso e disse que queria ir até o hotel em que ficaríamos (Hotel Rey Juan Carlos, onde cruzamos com o time do Barcelona, com Romário e tudo), para pegar o press kit (lembram disso?) e o brinde. Expliquei que não seria possível atendê-lo porque o local era distante e a logística de levá-lo de volta ao aeroporto era inviável. Mas que ele receberia o press kit no seu jornal.
O lançamento correu muito bem e ele teve uma boa viagem de volta ao Brasil para atender a emergência do jornal.
O falante ao telefone
Em outra viagem, à França, no momento da partida, NO fechamento de contas no hotel, o representante da agência veio falar comigo: chico, um dos seus convidados gastou US$ 1.500 em telefonemas, do seu apartamento, nos três dias de estada aqui. Vejam bem, hum mil e quinhentos dólares, não Reais.
Vi a relação das chamadas: Londres, Lisboa, Madrid, Roma, Amsterdam, em todas falando vários minutos, o que justificava o valor cobrado pelo hotel (obs.: para quem não sabe, os hotéis cobram muito acima dos valores cobrados nas chamadas normais. É praxe!). Naturalmente falando com amigos , já que seu jornal não tinha correspondentes ou representantes naquelas cidades. Aliás, só mesmo os grandes jornais teriam duas ou três delas, não todas. O que ele não negou.
– Por favor, avise que ele vai pagar pelas chamadas, orientei.
Minutos depois chega ele, apavorado. Dizendo que não tinha como pagar aquele valor, porque a esposa dele havia feito uma série de pedidos e se ele pagasse a conta dos telefonemas, estouraria o seu limite no cartão.
– Lemento – disse – mas não tenho como justificar para minha auditoria o pagamento de algo que já estava acertado com vocês, que foram avisados que disponibilizamos uma sala de Imprensa com telefones contratados com a telefônica local (à época, France Télécom) onde todos poderiam falar com seus jornais, rádios, tvs e família, à vontade). Justifique-se com a sua esposa.
Ele ainda tentou falar com meu superior que, avisado por mim, desapareceu. Não sei o que ele falou nem casa,
O folgado
Marcamos para sair do hotel (não lembro onde isso aconteceu. Talvez nos EUA) às 8 horas da manhã. Estávamos concedendo um desconto de 15 minutos pelos atrasos de sempre. Quando o relógio marcou 8:10h, e 41 jornalistas, que cumpriram o horário, aguardavam a saída, desce um dos convidados e, com a maior “cara de pau” e fala: espera um pouquinho que vou tomar um café e volto logo.
– Café e perde o ônibus! Avisei.
Virou de costas, dizendo”: você não vai fazer isso comigo”. Em tom de desafio.
Perdeu o ônibus!!!!
