Coluna Coluna Chicolelis: CENAS DO COTIDIANO NO TRÂNSITO

Não está nada fácil circular de carro por São Paulo, SP, nos últimos dias. Em 26 de fevereiro, por exemplo, muitos motoristas ficaram presos em um congestionamento de 1.31​3 km. Na semana passada, mais um deles chegou a atingir 1.059 km, às 8 horas da manhã. E não há como escapar, do trânsito e, muitas vezes, da ação dos bandidos que se aproveitam dessas ocasiões para “faturar”.

Mas o trânsito não mostra apenas problemas relacionados ao volume de veículos aprisionados em um congestionamento. Muitas vezes ressalta também a falta de educação por parte de motoristas ou seu acompanhante. 

Lembro bem de uma cena que presenciei, ainda no século passado, na Avenida Santo Amaro, esquina com a Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, no bairro do Itaim. Voltando de um almoço de trabalho, avistei a passageira de um carro de luxo abrir a janela e jogar fora uma garrafa pet de água que ela havia consumido.

Emparelhei meu carro e fiz sinal para que ela abrisse seu vidro. E fui atendido.

– A senhora jogou lixo na rua!

– Eu pago impostos para ter quem limpe as ruas.

E foram embora

Anotei a placa e liguei para um colunista, contando o acontecido. Ele publicou uma nota na sua coluna no dia seguinte, com a placa do veículo.

No final da tarde o jornalista me ligou dizendo que o dono do carro era um conhecido empresário, que estava recebendo ligações de várias pessoas “zoando” com ele.

Analfabeta ou encrenqueira?

Em outra ocasião anos depois, já neste século, estava testando um Mercedes-Benz conversível, para o caderno de automóveis do Diário do Comércio, hoje só na Internet. E, por coincidência, na mesma Avenida Santo Amaro.

No farol (sinaleira, semáforo…), parei como manda a civilidade. Era uma sábado, depois da 16 horas e eu seguia pelo corredor de ônibus, exclusivo para os coletivos de segunda a sexta, das 6 às 22 horas e, naquele dia da semana, livre para todos os veículos a parte das 15 horas, conforte orientava a placa de sinalização.

Eis que para ao meu lado, uma senhora com o seu EcoSport (o carro criado pela Ford brasileira, sob a tutela de Luc De Ferran) que fez grande sucesso no mercado) e, abrindo a janela, me dá uma “bronca”: “não é porque o senhor é rico, com esse carro, que pode usar esse corredor, que é exclusivo para os ônibus transportarem o trabalhador pobre”.

Olhei para ela.

– Eu não sei se a chamo de analfabeta ou encrenqueira.  O que a senhora prefere?

Mostrei a elas a placa logo à nossa frente.

Ela não sabia o que falar.

Falou o seu marido: “eu já te disse para não se metre na vida dos outros, mas você não toma jeito. Se o cara quer andar na faixa dos ônibus, você não tem nada com isso. E agora ainda tenho que ouvir isso. Olha a placa lá!!!!”

Para deixá-la ainda mais sem graça, sai “cantando pneu” por uns poucos metros.

Mal educado se deu mal

 Lá no prédio de A Tribuna, em Santos, onde comecei minha carreira jornalística (em 1969) e que teve a primeira mulher editora chefe na Imprensa brasileira, (Miriam Guedes Azevedo) os fumantes iam para uma varanda e ficavam vendo o trânsito na Rua João Pessoa.

Em um começo de noite, após uma chuva torrencial, estávamos ali olhando as pessoas passando lá embaixo (a Redação ficava no 4º andar). Havia um ponto de ônibus bem defronte do prédio do jornal e naquele trecho uma grande poça d’água sempre se formava.

E não é que o engraçadinho do motorista de um Opala, ao ver aquele povo no ponto e aquele enorme volume de água, resolveu sair da faixa que seguia e deu um banho em todo mundo.

Mas ele não contava que o motor fosse “afogar” e o carro parasse poucos metros adiante, ao alcance daqueles que ele deixou encharcados.

Nenhum vidro ficou inteiro, nem um pedaço da lataria sem marcas de chutes.

Ele escapou de levar uma surra quando alguém gritou:

Olha o ônibus!!!!

Da varanda, nós aplaudimos!.   

 

 

 

 

 

 

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