Até 30 de março, modelos exclusivos, objetos pessoais, projetos originais e desenhos inéditos estarão disponíveis em visita guiada, com 1h30 de duração
O mês de março marca o centenário do nascimento de um dos grandes visionários nacionais, que tirou do papel e transformou em realidade seus pensamentos voltados à mobilidade. O engenheiro e empresário João do Amaral Gurgel, criador da marca Gurgel, colocou em prática seu sonho de produzir veículos genuinamente brasileiros e deixou seu legado, a partir de uma trajetória extraordinária.

Essa história será contada com total riqueza de detalhes na mostra Amaral Gurgel – 100 anos de legado, organizada pelo CARDE museu, em Campos do Jordão (SP), que acontecerá até 30 de março. A experiência começará na sala Visionários, a qual conta com dois modelos Gurgel: X-12 e o Itaipú E-400, e muitos objetos pessoais e projetos de época. Nessa sala, o monitor abordará quem foi João Gurgel, sua importância para a engenharia brasileira, o caráter visionário de seus projetos, o centenário como marco histórico e a preservação do acervo pela Fundação Lia Maria Aguiar (FLMA) por meio do CARDE.
“A presidente da FLMA, a D. Lia, tinha uma forte relação de amizade com Gurgel e sua família. Por esse motivo, nos foi confiado objetos pessoais, projetos inéditos e modelos exclusivos, que contam a história com riqueza de detalhes desse engenheiro que, sem dúvida, deixou seu legado no Brasil no tocante à inovação e na defesa da criação de uma empresa automotiva genuinamente nacional”, explica Luiz Goshima, diretor do CARDE museu.

Serão formados grupos de 5 a 8 pessoas para uma visita guiada ao Centro de Referência do CARDE, espaço que será aberto aos visitantes pela primeira vez. Na biblioteca serão apresentados os projetos técnicos de veículos, os esboços e desenhos originais, os documentos institucionais, os registros de patentes, os estudos sobre carros elétricos, as curiosas anotações de engenharia.
O monitor explicará aos visitantes como funcionava o processo criativo de Gurgel, a inovação tecnológica para a época, o pensamento sustentável e nacionalista, e as soluções de engenharia aplicadas pelo engenheiro e empresário.

Há ainda a possibilidade de conhecer o Centro de Catalogação, com explicações detalhadas sobre os processos de restauração, as técnicas de conservação, o armazenamento de documentos históricos, com controle de umidade e temperatura, e o arquivamento técnico.
Ao final, o visitante recebe um postal sobre o centenário do nascimento de Gurgel. Todo o roteiro terá uma duração aproximada de uma hora e meia, e está incluso no valor da entrada da bilheteria. Com a mostra, o CARDE reforça seu compromisso com a educação, além de valorizar a história brasileira, estimular a educação tecnológica, promover a memória industrial, inspirar inovação, conectar passado, presente e futuro e reforçar o papel do museu como centro de conhecimento.

Conheça os carros que estarão em exposição para os visitantes do CARDE:
GURGEL IPANEMA
Lançado em 1969, o Gurgel Ipanema foi o primeiro modelo produzido pela fabricante brasileira idealizada por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Desenvolvido com proposta utilitária e recreativa, o modelo combinava robustez mecânica com carroceria leve em fibra de vidro reforçada, característica que se tornaria marca registrada da empresa.
Construído sobre base mecânica Volkswagen, o Ipanema utilizava o consagrado motor boxer refrigerado a ar, garantindo confiabilidade e facilidade de manutenção. De linhas simples e funcionais, foi concebido para uso misto, atendendo tanto ao lazer quanto às atividades em áreas rurais e litorâneas. Produzido em pequena escala, tornou-se um dos modelos pioneiros da indústria automotiva independente brasileira. O Ipanema tem um motor de quatro cilindros boxer, refrigerado a ar, com 1.500 cm³de cilindrada, câmbio manual de quatro marchas e tração traseira.
GURGEL X-12
Veículo de grande sucesso comercial da Gurgel, o X-12 foi produzido entre 1975 e 1988, consolidando-se como o modelo mais emblemático da Gurgel. Forte, econômico e incorrosível, atributos garantidos pela própria fábrica, o modelo combinava aptidão fora de estrada com a praticidade de uso urbano.
Desenvolvido a partir de uma encomenda das Forças Armadas do Brasil, o X-12 foi oferecido em diferentes configurações, incluindo versões com capota de lona, teto rígido, aplicação militar e os utilitários destinados a serviços de manutenção. O exemplar exposto no CARDE, de 1981, pertence à terceira geração do modelo, fase de maior maturidade técnica e comercial.
Exportado para países das Américas, Europa, África e Oriente Médio, o Gurgel X-12 tornou-se símbolo da capacidade da indústria automotiva brasileira independente. O X-12 tem motor Volkswagen 4 cilindros boxer, refrigerado a ar, de 1.600 cm³ de cilindrada, com potência de 60 cv, câmbio manual de 4 marchas e velocidade máxima de 110 km/h.
GURGEL ITAIPU E-400
Apresentado em 1981, o Gurgel Itaipu E-400 foi o primeiro automóvel elétrico produzido em série no Brasil, reafirmando o espírito pioneiro da fabricante idealizada por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Desenvolvido com foco em uso urbano e corporativo, o modelo foi concebido para serviços de manutenção e transporte de cargas leves.
Disponível nas versões furgão e picape, com cabine simples ou dupla, o Itaipu E-400 utilizava estrutura e diversos componentes mecânicos Volkswagen, diferenciando-se pelo conjunto motriz elétrico. Seu motor Villares de 10 kW era alimentado por oito baterias de 12 volts, solução que proporcionava autonomia entre 80 e 100 quilômetros, e velocidade máxima de 70 km/h.
Produzido em série limitada, apenas 88 unidades, o Itaipu E-400 tornou-se um dos projetos mais visionários da indústria automotiva nacional, antecipando em mais de quatro décadas o debate sobre mobilidade elétrica e sustentabilidade.
GURGEL XEF
Lançado em 1983, o Gurgel XEF foi um automóvel urbano compacto que representou a proposta da marca de oferecer mobilidade racional, econômica e adaptada à realidade brasileira: um verdadeiro microcarro urbano. Desenvolvido por João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, o modelo combinava dimensões reduzidas com soluções construtivas próprias, mantendo a identidade técnica da fabricante.
Com carroceria em fibra de vidro reforçada e estrutura do tipo “plasteel” (aço tubular revestido por compósito), o XEF priorizava leveza, resistência e durabilidade. Utilizava conjunto mecânico Volkswagen, com motor 1.6 boxer de quatro cilindros refrigerado a ar, instalado na traseira, garantindo simplicidade de manutenção e ampla disponibilidade de peças no mercado nacional.
Produzido em pequena escala, o XEF tornou-se um dos modelos mais raros da Gurgel. Símbolo da busca por um automóvel urbano nacional, antecipa conceitos de racionalização de espaço e eficiência que se tornariam tendência nas décadas seguintes. Foram cerca de 145 unidades produzidas.
GURGEL MOTOMACHINE
Apresentado em 1991, o Gurgel Motomachine foi um projeto experimental da Gurgel. Compacto, leve e de proposta essencialmente urbana, o modelo representava a busca da marca por soluções simples, econômicas e adaptadas à realidade brasileira da época.
Com carroceria em fibra de vidro reforçada, o Motomachine priorizava resistência estrutural e baixo peso (650 kg). Seu conjunto mecânico utilizava motor Enertron 0.8 litro, de dois cilindros, arrefecido a água, que gerava 34cv, alcançando uam velocidade máxima de 115 km/h. Produzido em pequena escala, tornou-se um dos modelos mais raros e curiosos da história da Gurgel. O modelo teve uma produção aproximada de 177 unidades.
MOTOFOUR
Você já imaginou um veículo que ficasse entre uma motocicleta e um automóvel? Essa foi a proposta ousada do Motofour, um protótipo desenvolvido em 1996 pela Gurgel. A ideia era criar um meio de transporte leve, versátil e econômico, capaz de circular tanto em áreas urbanas quanto em terrenos mais desafiadores, como praias e estradas de terra.
O Motofour apresentava soluções bastante incomuns. Seu formato lembrava um pequeno carro aberto, sem portas, laterais ou capota, e com proteção mínima ao condutor. A posição de dirigir também chamava atenção: o motorista ficava no centro do veículo, sentado como em uma motocicleta, mas com volante e pedais de automóvel. O câmbio, adaptado, ficava próximo ao painel, em frente ao condutor, e não na lateral, entre os bancos como nos carros convencionais.
Outro detalhe curioso era o banco, conhecido por ser bastante rígido. Ainda assim, o veículo se destacava pelo bom desempenho, favorecido pelo peso reduzido, além de respostas rápidas na direção e aceleração.
Apesar de seu caráter inovador e da simplicidade mecânica, que prometia baixo custo de produção, o Motofour não chegou a ser produzido em série. Permanecendo como protótipo, ele se tornou uma peça rara e simbólica da criatividade da indústria automotiva brasileira.
O Motofour tinha motor de dois 2 cilindros contrapostos (boxer), de 792 cm³ de cilindrada, 4 tempos, arrefecido a água. A potência era de 36 cv a 5.500 rpm. A velocidade máxima era de 112 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h sedava em 34 segundos.

Serviço – Mostra Amaral Gurgel – 100 anos de legado
Data: de 7 a 30 de março
Serviço – CARDE
Ingressos: R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia-entrada)
Endereço: Rua Benedito Olímpio Miranda, 280, Alto da Boa Vista,
Campos do Jordão – SP, CEP: 12.472-610
Site: www.carde.org
E-mail: [email protected]
Instagram: @carde.museu
Telefone: (12) 3512-3547
Fechado: terças e quartas-feiras

