Conheça o “Amarelinho”, um Porsche 911 Turbo 2008 com mais de 216.000 km rodados pela América do Sul

O que você prefere: encarar os procedimentos de viagem em um aeroporto ou dirigir milhares de quilômetros para chegar ao destino escolhido? O empresário José Francisco Canepa tem resposta pronta para essa pergunta: é capaz de passar semanas viajando a bordo de seu Porsche 911 Turbo da geração “997”, ano-modelo 2008. Comprado em 2009, o “Amarelinho”, como é chamado, tem mais de 216.000 km rodados (boa parte deles por estradas da Argentina, Uruguai e Chile).

É uma história incomum para um Porsche 911 Turbo, ainda que os carros da marca tenham sólida reputação de confiabilidade e robustez. Canepa é o segundo proprietário do Turbo: comprou-o em 2009, naquela altura com 2.000 km rodados. A decisão de usar o Porsche nas viagens de longa distância surgiu da aversão à rotina dos aeroportos. Inicialmente, o911 Turbo era utilizado nas viagens dentro do Brasil, em especial exposições agropecuárias, a fazenda do empresário em Minas Gerais e em visitas a familiares na região Sul. Só depois o Amarelinho rompeu fronteiras: acompanhado por amigos de infância e pela esposa, Canepa realiza viagens anuais pela América do Sul.

Os roteiros mais marcantes cobriram cerca de 10.000 quilômetros. O Amarelinho cruzou os Andes duas vezes. A primeira delas foi por Jujuy, na Argentina, rumo ao deserto do Atacama, no Chile. “É uma rota muito conhecida para travessia e foi uma das maiores emoções que já tive pilotando. Esse trecho tem 600 km e levamos quase 11 horas para percorrer, porque você passa por quatro desertos diferentes: um de pedras, um de vegetação rasteira, um de montanhas e o deserto de sal”, lembra.

Na outra travessia, Canepa passou por Portillo (uma estação de esqui ao sul dos Andes) e visitou as vinícolas chilenas. O percurso de volta para o Brasil passou pelos Sete Lagos e por Bariloche, na Argentina, e pelo Uruguai, para visitas às vinícolas locais. De lá, o grupo voltou para o Brasil. “Todo ano faço uma viagem dessas com meus amigos de infância. Sempre por caminhos excelentes. As rodovias no Chile, na Argentina e no Uruguai são espetaculares.”

A presença de um 911 Turbo clássico nas estradas sul-americanas é algo incomum, e o resultado é que o Amarelinho desperta reações positivas por onde passa. A postura do proprietário contribui muito para isso: “Nas fronteiras da Argentina e do Chile, as pessoas querem tirar fotos, entrar no carro, vira um acontecimento. Nos postos de gasolina da Argentina, onde as pessoas são fascinadas por carros, às vezes encosta um ônibus escolar e descem crianças para ver o Amarelinho. Eu abro as portas e elas entram, tiram fotos… O carro transmite muita simpatia”. Canepa acredita que a cor do carro tem muito a ver com isso: “O Amarelinho transmite felicidade Onde quer que eu pare, todos querem ver o carro e conversar comigo”, teoriza.

Para manter o 911 Turbo em condições de encarar qualquer viagem, Canepa faz uma manutenção preventiva rigorosa. Cliente da Stuttgart desde 1999, o empresário confia os cuidados do veículo exclusivamente ao mecânico especializado Douglas Vasquez. Periodicamente, são feitas as trocas de óleo (anualmente) e do fluido da transmissão (a cada cinco anos). Os demais componentes seguem estritamente a quilometragem: substituição de velas e correias a cada 50.000 km e troca da embreagem realizada quando o automóvel atingiu a marca de 150.000 km rodados.

Ao atingir a marca dos 200.000km, o carro entrou na oficina do Porsche Center São Paulo e para uma revisão profunda que durou seis meses. Durante o processo, os técnicos realizaram a desmontagem integral do chassi e do conjunto mecânico. Houve a substituição completa de todas as tubulações de fluidos e de água, além da troca preventiva do trocador de calor para evitar corrosão e a mistura de água no óleo. O bloco do motor original foi preservado intacto.

A história do Amarelinho chamou a atenção da Porsche AG. Ao encomendar um Macan GTS para uso urbano diário, Canepa recebeu um tratamento exclusivo devido à fama do seu 911 Turbo. Ao tomarem conhecimento da alta quilometragem do “Amarelinho”, os diretores da Porsche priorizaram o pedido do brasileiro e colocaram o veículo encomendado no topo da fila de produção mundial. A unidade foi montada na semana seguinte ao pedido e possui uma configuração de suspensão de pista customizada de fábrica. “O resultado é que o Macan tem um comportamento muito próximo ao do 911 Turbo. Isso me agrada bastante, mas para longas distâncias eu pego o Amarelinho”.

Apaixonado por automobilismo, Canepa correu de kart e preparava seus próprios motores. Entre os anos 70 e 90, compareceu a vários Grandes Prêmios de Fórmula 1, convivendo dentro dos boxes. Aposentado como executivo em instituições financeiras após quatro décadas de carreira, Canepa passou a se dedicar a outra grande paixão: a produção de vinhos finos. Transformou suas viagens de turismo pelo mundo em pesquisa prática para sua própria vinícola, a Mascan, localizada em sua fazenda no sul de Minas Gerais. Ali, são cultivadas as variedades Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Sauvignon Blanc.

Antes de adquirir o 911 Turbo, Canepa teve outras versões do modelo: primeiro um Carrera, depois um Carrera 4S. Mudou quando acreditou ter chegado ao limite de ambos os carros. Com o Turbo, entretanto, foi diferente: “Descobri um carro sem fim. Além disso, sou fã da tração integral dele. Fazer curvas com tração integral é uma experiência totalmente diferente e muito mais segura. É um carro que entrega muita potência, estabilidade e tração. Na estrada, não há nada igual”.

 

Reportagem publicada na revista Insider número 99.
Texto: Luiz Alberto Pandini/Assessoria de Imprensa Stuttgart Porsche. Fotos: Lucas Parisi e arquivo pessoal José Francisco Canepa. Reprodução autorizada somente para fins editoriais e com créditos para texto e fotos.

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