Museu CARDE, de Campos do Jordão, recebeu o prêmio de 2º colocado na categoria de carros pré-guerra.
O Isotta Fraschini Tipo 8A Cabriolet d´Orsay, de 1925, do acervo do museu CARDE, de Campos do Jordão (SP), acaba de receber o prêmio de segundo colocado no principal evento de antigomobilismo do mundo: o Concurso de Elegância de Pebble Beach, na Califórnia (EUA). A categoria pré-guerra é sempre uma das mais concorridas do evento, ainda mais em 2026, quando o Concurso de Elegância de Pebble Beach celebra 75 anos de existência.
Esse troféu representa a segunda vitória consecutiva e inédita do antigomobilismo brasileiro em Pebble Beach. Em 2025 o museu CARDE representou o País de forma pioneira no principal evento de antigomobilismo do mundo e saiu de lá com o troféu “Lap of Luxury”, que reconheceu o Isotta Fraschini Tipo 8A SS Guida Interna Sport 1928, como o veículo mais luxuoso do evento. Ou seja: duas participações e duas conquistas em uma competição onde mais de 230 carros, de mais de 20 países, disputam o reconhecimento em um evento que representa a mais alta celebração da preservação da cultura automotiva mundial.
“Ser reconhecido pela segunda vez consecutiva em Pebble Beach é uma conquista inimaginável, mas que acaba de se tornar realidade. É uma vitória de toda a comunidade do antigomobilismo brasileiro, que começa a ser ainda mais respeitada internacionalmente”, explica Luiz Goshima, diretor do CARDE e membro honorário da Fundação Lia Maria Aguiar (FLMA), a qual o museu faz parte.
Recentemente, o CARDE atingiu a marca de 200 mil visitantes, que vieram conhecer suas dezenas obras de arte e mobiliário histórico, bem como 120 veículos clássicos, de um acervo rotativa que totaliza cerca de 500 carros.

O carro premiado é fruto de uma história de amor
No museu em Campos de Jordão (SP), a sala “Uma grande história de amor” foi criada para traduzir os frutos do relacionamento de Henrique Lage e Gabriella Besanzoni. O cenário do romance foi monumental: o Palacete do Parque Lage, no Rio de Janeiro, retratado na cenografia desse requintado espaço no CARDE. Nos anos de 1920, o empresário bem-sucedido Henrique Lage remodelou essa construção existente para transformá-la em um palácio para sua amada esposa, a cantora lírica Gabriella Besanzoni. Além do palácio, mais um presente foi especial preparado para agradar a amada: um Isotta Fraschini, importado da Europa, um dos carros mais luxuosos do mundo à época, com detalhes exclusivos. A unidade em exposição possui o número de identificação #810. Finalizada em 1925, ostenta desenho exclusivo assinado pela Carrozzeria Castagna, prestigiada encarroçadora milanesa. Uma verdadeira joia sobre quatro rodas. Antes de ser enviada para o gramado de Pebble Beach, o modelo passou por uma restauração expressiva, que buscou nos mínimos detalhes a originalidade de época desse carro tão especial.
Reconhecida internacionalmente, a marca Isotta Fraschini foi fundada em 1900, em Milão, na Itália, por Cesare Isotta e pelos irmãos Fraschini (Vincenzo, Antonio e Oreste). Célebre por associar inovação e qualidade na construção de seus veículos, produziu uma extensa gama de modelos representativos ao decorrer das primeiras décadas do século XX. Evolução direta do Tipo 8, anunciado em 1919, o Tipo 8A foi apresentado ao público em 1924.
Retratando o ápice em termos de sofisticação automotiva italiana, era equipado com um motor de oito cilindros em linha, de 7.4 litros, que gerava cerca de 110 cavalos de potência, sendo capaz de atingir a velocidade máxima perto dos 140 quilômetros por hora. Custando aproximadamente 120 mil liras, somente o chassis e os componentes mecânicos, o comprador ainda arcava com as despesas da elaboração da carroceria. Esta, feita de maneira artesanal e sem duplicatas. A unidade em exposição possui o número de identificação #810. Finalizada em 1925, ostenta desenho exclusivo assinado pela Carrozzeria Castagna, prestigiada encarroçadora milanesa.
Único no mundo, o modelo ostenta desenho na configuração Cabriolet d´Orsay, uma limusine transformável para sete passageiros, de acordo com o cadastro internacional da marca. No Brasil desde a década de 1920, foi adquirido pelo rico industrial carioca Henrique Lage, proprietário do palacete Lage, no bairro Jardim Botânico, na cidade do Rio de Janeiro, segundo a citação no livro “Isotta Fraschini”, de Angelo Tito Anselmi. Restaurado nos anos 50 por Eduardo André Matarazzo, o veículo permaneceu por muitos anos em sua coleção particular, localizada em Bebedouro, São Paulo.

CARDE, mais do que um museu, um “ecossistema” do antigomobilismo
No Brasil, um novo e forte ecossistema para o antigomobilismo está se formando. Lojas especializadas, restauradores de alto nível, coleções com representatividade internacional. Um dos marcos desse novo ecossistema é o CARDE museu. Ele conta a história da república por meio de carros e obras de arte. Os veículos são utilizados como fio condutor que estimula a todos, por meio de forte conexão sentimental que os carros geram nas pessoas.
“O Brasil vive um momento de evolução da valorização da cultura automotiva, que se une ao entendimento do carro antigo também como produto com valor estável e precificação muitas vezes com referências internacionais. Além do fator sentimental para alguns, o carro clássico hoje é visto também como um investimento resiliente à grandes flutuações. Há ainda um terceiro ganho, que é a abertura para novas oportunidades de networking, entre pessoas de mesma afinidade”, explica Luiz Goshima.
No meio de uma floresta preservada de araucárias na cidade de Campos do Jordão, a 170 quilômetros de São Paulo, o CARDE surge como um espaço dedicado à valorização da cultura e da história do Brasil, principalmente a do século 20, utilizando o automóvel como personagem principal. O museu traz uma forma única de contar os fatos históricos, já que muitos dos automóveis ali apresentados são muito mais que produtos para mobilidade — eles se tornaram parte da trajetória do nosso País. São aproximadamente 120 veículos, expostos de forma rotativa, selecionados de acervos técnicos que conta com mais de 500 automóveis históricos.
Carro, Arte, Design e Educação não só emprestaram suas iniciais para formar o acrônimo CARDE, mas também são os pilares que representam o que esse museu genuinamente é. O prédio, de seis mil metros quadrados, construído em um terreno de 200 mil m² no bairro Alto da Boa Vista, a 10 minutos do centro de Campos do Jordão, conta com iluminação teatral, cenografia rica em detalhes e muita tecnologia.
