Eram viagens exclusivas da Engenharia, para avaliar os futuros lançamentos da marca e mudanças nos modelos já em produção. Então tinha Omega 3.0, Vectra 2.0, Astra 1.8, S10 e, claro, o Corsa 1.0. Eram longos trechos por milhares de quilômetros por estradas pelo Norte, Sul, Sudeste, para avaliar a condição de cada veículo por diferentes condições de climas e pavimentos.
Com o tempo, essas viagens deixaram de ser exclusividade da Engenharia. Eu argumentei junto a Diretoria que faríamos melhor nosso trabalho de divulgação se conhecêssemos melhor o produto. Depois dos companheiros de Imprensa da fábrica, participou também o pessoal de Marketing e, por fim, até da agência de propaganda.

Foi em uma dessas viagens que tive o prazer de me aproximar de um dos engenheiros do Campo de Provas, o Rodolpho Bülau, um dos seres mais bem-humorados que conheci, muito embora não o demonstrasse ser assim.
Estava sempre pronto para fazer um comentário que trouxesse alegria ao grupo e foi isso que fez em uma das viagens de avaliação.
Teve ele a incumbência de, em um determinado trecho das muitas viagens, de “tocar” o Corsa 1.0, por muitos quilômetros, via rádio, a equipe “cobrava” dele a sua “incapacidade” de acompanhar o comboio, composto por Omega 3.0, Vectra 2.2, Astra 2.0 e até duas S10, uma delas de apoio com peças de reposição e até combustível.

Depois de algumas horas de viagem, a parada para o almoço. Bülau então levantou-se antes de todos e disse que sairia na frente para não “atrapalhar“ o comboio. Todos ainda ficaram para o cafezinho.
E ele rodou alguns quilômetros, parou o Corsa 1.0 e o escondeu atrás de um caminhão que estava parado em uma área de descanso.
Minutos depois que o comboio passou, veio à tona o humor do Bülau, cobrando de todos pela “morosidade” como estavam dirigindo.
– Já cheguei aqui no km 120, onde vocês estão? Não conseguem acompanhar o meu 1.0? Cobrava ele que ainda estava no km 80, atrás de todos.
E repetiu por alguns minutos a brincadeira, até que a distância entre ele e o comboio impediu a comunicação por rádio e todos resolveram parar. Foi quando ele chegou, rindo muito de todos, que riram também. Fazer o que?
Esse era o Bülau, que recentemente nos deixou, cheios de boas lembranças pelos momentos de descontração que convivemos juntos, no Campo de Provas, nas viagens de avaliação ou lançamentos para a Imprensa.

As viagens de avaliação
Eram viagens que a Imprensa Especializada fazia uma perseguição implacável para descobrir as novidades das fábricas, nos tempos em que os lançamentos ainda causavam surpresas.
Fotógrafos subiam em árvores (dormiam e caiam delas), carros perseguiam os comboios e houve até o caso do aluguel de um helicóptero, pelo Jornal do Carro (hoje usariam drones) para fotografar um modelo da Ford. Só não conseguiram sucesso porque o Seccão (Luiz Carlos da Silva Secco), da Imprensa da Ford, pediu que o pessoal do comboio tirasse suas calças e ficassem deitados sobre o carro, um Corcel.
Em mais uma frustração da Imprensa, alguém, chegou ao Campo de Provase avisou que haviam “espiões” da revista 4 Rodas, em um carro lá na saída da estrada, que dava acesso ao campo. O comboio saiu na hora marcada, 7 horas da manhã, por uma trilha desconhecida pelo pessoal da revista que foi avisado lá pelas 10 horas que a turma já havia partido.
Mas, em muitas vezes alguém conseguia um “furo” e o segredo de fábrica era revelado ao público que corria para as bancas conhecer as novidades apresentadas pelos jornais e revistas que enchiam nossos olhos com as “máquinas” da época.

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