COLUNA CHICOLELIS: O TROVÃO QUE NUNCA FOI “VISTO”

Era uma vez, em 1988, quando acontecia o desenvolvimento da nova suspensão da linha Opala que surgiu, entre os engenheiros e técnicos do campo de provas, a ideia de desenvolver um modelo que superasse todas as expectativas do consumidor, no que se referia ao desempenho do modelo, no rodar, mas, especialmente no que se referia o enfrentamento de curvas e afins.

Havia, na frota do campo, uma versão Comodoro (intermediária entre o básico e o Diplomata), 6 cilindros na cor azul, cujo destino final iria para o escrape ou seja, para quem não conhece a expressão, virar sucata.

Pois esta foi a unidade escolhida pelo pessoal do campo de provas para “construir” o Trovão Azul que, os mais exagerados, chegaram a compará-lo a um “verdadeiro kart”, tal a sua capacidade de enfrentar as curvas, ou “curvar”, com se fala na gíria.

Ele ganhou novos barramentos de direção, novos batentes no​vos amortecedores traseiros, novos rates de molas, barras estabilizadoras com novas medidas, nova geometria de direção, caixa ZF de 5 velocidades, direção com servo tronic, aro 15’ da Santa Matilde, motor que foi mexido e ganhou mais perto de 20 cv de potência, sobre os 171 cv da versão 6 cilindros. E, ​recebeu t​ambém, um spoiler traseiro, e dois frontais, cortados, oriundos do Opel Ascona.

Testado o carro, “ficou maravilhoso de tocar”, segundo o pessoal do campo de provas. O seu diretor daquele tempo passou a usar o carro e falando com seus colegas de diretoria, aguçou a vontade de todos, que acabaram por “encomendar” um Trovão Azul” para seu uso. Pequenas alterações foram feitas em relação à versão original do modelo, para torná-lo mais confortável no dia-a-dia das vias locais, mas fez enorme sucesso junto à diretoria da fábrica.

Apesar disso, o projeto nunca foi adiante e até hoje o pessoal do campo de provas sente saudades daquele Opala “kart”​ e nunca soube a real razão da não inclusão do “Trovão” na linha Opala.

Nova suspensão Opala

Muitas das inovações colocadas no “Trovão”, apareceram na linha Opala 1989. E, durante a apresentação para a Imprensa, um fato curioso, que já contei em coluna anterior, foi quando o jornalista Expedito Marazzi (pai do também jornalista Gabriel Marazzi, editor da nova revista Motor News e também da Cultura do Automóvel) participando do teste drive, avistou uma Opala Caravan, entrou nela e fez o teste pelas pistas do campo de provas.

Ao terminar sua volta, elogiou a nova suspensão da SW, surpreendendo a todos, já que aquela versão da linha Opala, por questões relacionadas ao fornecimento de peças, não estava entre os veículos serem testados.​ Ninguém o criticou pois Expedito era um dos maiores “tocadores” do meio, tendo sido piloto de competição, sempre ​com méritos nos resultados. E, como se falava na gíria da época: “pro Marazzi não tem tempo ruim. E toca bem até carro sem suspensão”.

 

 

 

 

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